08/07/2020-Goiás-Criada Delegacia da Mulher em Iporá

Assim que a unidade começar a operar, Goiás passa a ter 25 Deams. Meta da gestão é reduzir número de feminicídios em todo o Estado

Discurso, acordo firmado, comando dado a toda a equipe da Secretaria de Segurança Pública (SSP) e, agora a sanção da lei que cria a mais nova Delegacia Especializada da Mulher (Deam) em Goiás. A evolução das ações mostra que a redução do feminicídio no Estado é realmente prioridade para o governador Ronaldo Caiado.

O compromisso de campanha se transformou não somente no Pacto Goiano pelo Fim da Violência contra a Mulher, lançado no ano passado com a parceria de várias instituições públicas e privadas, mas também em lema Em briga de marido e mulher, o governo mete a algema e, desde o dia 9 de junho, em iniciativa publicada no Diário Oficial do Estado (DOE).

A cidade de Iporá, que tem pouco mais de 30 mil habitantes e está distante 226 quilômetros de Goiânia, é a primeira que teve a criação de uma delegacia da mulher aprovada pela Assembleia Legislativa na gestão Caiado.

Assim que a unidade for estruturada, Goiás passará a ter 25 Deams, sendo que duas delas estão na capital do Estado – uma localizada no Centro e a outra no Jardim Curitiba 2.

Mais do que acostumada a lidar com o tema, a delegada titular da Deam da região Central de Goiânia, Paula Meotti (foto), fala sobre a instalação da especializada no interior. “A criação de Deams é extremamente importante, principalmente em momentos como esse que vivemos em razão da pandemia, já que as mulheres estão mais reclusas nas residências e, muitas vezes, convivendo mais tempo com o agressor”, analisa.

Meotti também destaca que o acolhimento da vítima nas Delegacias da Mulher ainda contribui para que os registros de ocorrência sejam mantidos, bem como a representação criminal e as medidas protetivas.

Mesma opinião tem a delegada Poliana Bergamo (foto), titular da Deam de Goianésia, instalada há apenas seis anos no município. “As Deams no interior são de suma importância, porque conseguimos promover um atendimento mais humanizado, há o estímulo para que as vítimas denunciem, fruto de campanhas de conscientização”, ressalta.

Pela própria experiência, Poliana diz que é imprescindível associar campanhas educativas ao trabalho rotineiro policial, já que o problema da violência contra a mulher tem raízes culturais muito profundas, que se sustentam por meio do machismo e do patriarcalismo. Inclusive, a delegada de Goianésia fez uma especialização em Gerenciamento de Segurança Pública, pela Universidade Estadual de Goiás (UEG), abordando o tema e relatando como foram implementadas as medidas no município em que atua.

Entre essas iniciativas estão a conscientização de crianças e adolescentes, por meio de um concurso de redação anual, que conta até com cerimônia de premiação na Câmara Municipal; palestras para homens, realizadas nas empresas e usinas sucroalcooleiras da cidade; criação do grupo “As Marias”, que reúne uma equipe de multiprofissionais para amparar a mulher vítima de violência doméstica e familiar; e a disseminação do assunto na imprensa e nas redes sociais da Deam.

Outra preocupação constante da Polícia Civil goiana, assinalada por ambas as delegadas, é proporcionar um ambiente acolhedor e um tratamento mais humanizado para receber as mulheres que procuram o local para denunciar casos de agressão. Nesse sentido, a SSP firmou convênio com a Prefeitura de Jataí para oferecer essa melhor estrutura às vítimas de violência do município. O fruto da parceria pôde ser visto no último dia 23 de junho, quando foi inaugurada a nova sede da Deam de Jataí, no bairro Divino Espírito Santo.

E, definitivamente, a importância desse acolhimento não fica na retórica. A maquiadora Gabriella Rodrigues César Camargo, 29 anos, procurou pela primeira vez a Deam de Goianésia, em novembro do ano passado, para denunciar as agressões – psicológica e física – praticadas contra ela por seu ex-companheiro, com quem tem um filho de 5 anos. Desvalorização, humilhação, xingamentos e brigas por ciúmes fizeram parte da rotina de Gabriella durante muito tempo. E só não aconteceu algo pior porque ela teve forças para pedir ajuda. “É muito difícil ir à delegacia e ter que falar tudo, com detalhes. Falar como eram os xingamentos, as brigas. Senti-me acolhida na Deam, porque as meninas [funcionárias] são muito atenciosas. Não sei se conseguiria relatar o que passei para um homem”, confessa.

Na última semana, ela retornou à Deam para pedir medida protetiva, pois voltou a ser ameaçada pelo ex-companheiro.

Delegacias abertas durante a pandemia
A titular da Deam da região Central de Goiânia lembra que as unidades estão abertas 24 horas por dia, mesmo nesse período de pandemia. Paula Meotti ressalta que também estão disponíveis os atendimentos psicológicos especializados e que foram reforçadas as campanhas de conscientização nas plataformas digitais.

Em relação aos flagrantes registrados, o número caiu de 68 para 59, quando comparados os meses de maio de 2019 e deste ano. A redução de medidas protetivas foi de 247 para 217 e a dos registros de ocorrência de 452 para 336, durante o mesmo período analisado. “Ainda é prematuro tentar explicar essa queda, esse fenômeno, até porque nunca vivemos uma situação como a desta atual pandemia”, pontua Meotti.

Independente de uma resposta que lance luzes para esse cenário, tanto ela quanto a delegada Poliana, de Goianésia, incentivam as mulheres a denunciarem os casos de agressão. “O ambiente de uma delegacia especializada é diferenciado e é feito para amparar essa vítima de maneira mais qualificada”, frisa Paula Meotti. “Quando uma Deam é criada, um processo de conscientização é também iniciado sobre a existência da Lei Maria da Penha, sobre como requerer uma medida protetiva. Tudo isso tem um impacto muito positivo na sociedade”, arremata a colega Poliana.

Saiba mais

Quando um crime pode ser considerado feminicídio?
_Segundo a lei, em duas situações:
– Quando envolve violência doméstica e familiar;
– Quando há menosprezo ou discriminação à condição da mulher.

Reconheça as fases do ciclo da violência doméstica
Primeira: acumulação de tensão, marcada por agressões verbais mútuas, provocações e discussões.
Segunda: costuma ser mais curta, porém intensa e muito violenta. Nesta etapa, explodem as agressões mais graves.
Terceira: período de reconciliação, também conhecida como “lua de mel”. O agressor pede perdão e promete que irá mudar.

(Fonte: Delegacia Especializada da Mulher de Goianésia)

Onde estão as Deams em Goiás
Goiânia – Centro – Paula Meotti – (62) 3201-2807
Goiânia – Jardim Curitiba 2 – Cássia Sertão – (62) 3201-6344
Aparecida de Goiânia – Ana Paula Machado – (62) 3201-2642 / 2644
Senador Canedo – Matheus Noleto – (62)3201-2426 / 2427
Anápolis – Marisleide Santos – (62) 3328-2720 / 2731 / 2745 / 2747
Luziânia – Dilamar de Castro – (61) 3622-3627 / 3621-4490
Novo Gama – Pedro Yuri – (61) 3614-1149 / 3468
Valparaíso de Goiás – Marianna Campos – (61) 3629-8246 / 3669-1891
Caldas Novas – Rodrigo Pereira – (64) 3454-6640 / 6634 / 6603
Itumbiara – Yvve de Melo – (64) 3404-7711 / 3431-6758
Santa Helena – Thiago Costa – (64) 3641-1543
Rio Verde – Jaqueline Camargo – (64) 3620-0950
Catalão – Alessandra de Castro – (64) 3441-1622 / 1623
Planaltina de Goiás – José Antônio Sena – (61) 3637-8091
Formosa – Fernanda Martins – (61) 3631-7793 / 6935
Porangatu – André Luis Barbosa – (62) 3362-5903
Mineiros – Júlio César Vargas – (64) 3661-5729
Jataí – Marcos Rogério Guerini – (64) 3632-0711
Goianésia -Poliana Bergamo – (62) 3353-4821
Trindade – Renata Vieira – (62) 3505-7539
Águas Lindas de Goiás – Ana Cristina Hasevaga – (61) 3613 – 0701
Santo Antônio do Descoberto – Pablo Santos – (61) 3626-0421 / 0289
Uruaçu – Fernando Alves – (62) 3357-1020
Niquelândia – Gerson de Souza – (62) 3354-1008
Iporá – lei sancionada pelo governador Ronaldo Caiado, em 9 de junho de 2020, cria a Deam no município.
Denúncias também podem ser feitas pelo 197

Secretaria de Comunicação – Governo de Goiás