09/09/2019 – GOIÁS – “Méqui” X “Sale” o varejo e a importância da (des) valorização da língua portuguesa no marketing das empresas

A recente campanha da rede de lanchonetes McDonald’s, em algumas cidades do Brasil, na qual parte de suas lojas ganharam a grafia “Méqui”, aponta uma inteligente forma de valorizar a cultura da língua portuguesa e aproximação com seus consumidores brasileiros. Para Carlos André, do Instituto Carlos André, centro de excelência em Língua Portuguesa, Assessoria em Português Jurídico e Preparatórios para Admissão à Carreira Diplomática, localizado em Goiânia, é importante valorizar a língua portuguesa, especialmente pelo marketing dos grandes comércios. “Nos shoppings está tudo em inglês. “Sale”, “Off”, e muitos consumidores ficam constrangidos por não entenderem essas palavras.Inclusive existem contratos nos shoppings em que impedem de se colocar a palavra Promoção. Só se pode colocar termo em língua inglesa, e isso é muito grave.” Explica o Professor Carlos André.

Maiara Dal Bosco

A campanha do McDonald’s transforma a grafia da marca para Méqui, com acento gráfico “qui” e isso, segundo o professor, está de acordo com a gramática normativa da língua portuguesa. Optografia fonética que aproxima a forma como se fala dá forma como se escreve. A acentuação está corretíssima, pois é uma paroxítona terminada em “i” mesmo caso de “táxi”, que tem o acento. Segundo a norma também poderia ser “meque”, mas em alguns locais do sul do país, alguns falariam “mequê”. “ Essa campanha aponta uma valorização da cultura brasileira, e que, seria de extrema importância, se as marcas como um todo olhassem para essa campanha, e repensassem em suas campanhas de marketing.” Diz Carlos André.

Ainda de acordo com o professor, o momento de discutir a preservação e o bom uso da língua portuguesa se torna ainda mais relevante agora. “Estamos muito próximos do bicentenário do Brasil, e precisamos cada vez mais nos reconhecer como povo brasileiro, unido pela língua portuguesa. O problema é que há uma tendência de uso excessivo e inconsciente da língua inglesa tirando a nossa brasilidade. É necessário enxergar que a língua é parte crucial da nossa cultura, e com isso valorizá-la sempre.” Finaliza Carlos André.

Sobre Carlos André e o Instituto

O autor dos livros “A nova ortografia da língua portuguesa” e “Na ponta da língua”, Carlos André representa a OAB Nacional no Senado da República no Acordo Ortográfico, e é Professor de Língua Portuguesa e de Redação Jurídica. Fundador do Instituto Carlos André, centro de excelência em Língua Portuguesa e preparatórios para Admissão à Carreira Diplomática, Pré-vestibular e Assessoria em Português Jurídico, fundado em 2009, é Mestrando em Gramática pela UFMG e em Letras pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás. Formado em Direito, o autor e professor também é Membro do grupo técnico responsável pelo Manual de Redação Jurídica – OAB.