10/06/2019 – GOIÁS – Redução de juros imobiliários anunciada pela Caixa anima empresários em Goiás

O banco estatal, que detém a maior parte da carteira de crédito habitacional do País, também deve beneficiar cerca 600 mil famílias que estão com dificuldades para quitar dívidas com financiamento. Executivos e especialistas do setor acreditam que medidas irão reaquecer o mercado de imóveis

Luiz Fernando Rodrigues

As medidas anunciadas pela Caixa Econômica Federal na última quarta-feira (5) e que estão previstas para entrar em vigor na próxima segunda-feira (10/06) animaram incorporadores e empresários do mercado imobiliário. O banco estatal, que detém 70% da carteira de crédito habitacional do País, reduzirá de TR+8,75% para TR+8,5%, ou seja, queda de 0,25 ponto percentual, as taxas cobradas em empréstimos concedidos por meio do Sistema Financeiro de Habitação (SFH); nesta modalidade são financiados imóveis de até R$ 1,5 milhão, com o uso do saldo do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).

Já para o Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), para compra de imóveis acima de R$ 1,5 milhão, a redução na taxa será de TR+9,75% para TR+8,5%, ou seja, baixa de 1,25 ponto percentual. Os financiamentos para clientes sem nenhum tipo de relacionamento com a Caixa, a chamada “taxa de balcão”, os juros passarão de TR+11% para TR+9,75%. Além da queda dos juros, o banco também abriu a possibilidade de renegociação de dívidas em atraso para cerca de 600 mil contratos.

De acordo com o incorporador e diretor da Queiroz Silveira, Rogério Queiroz, as medidas anunciadas pela Caixa contribuem para motivar aqueles que já tinham planos de comprar a casa própria este ano. “Os preços, com a redução da taxa de juros, ficam ainda mais acessíveis aos brasileiros que passaram por momentos de dificuldades nos últimos anos. A queda na taxa de juros barateia o crédito imobiliário, e faz com que o consumidor tenha mais confiança para contrair um financiamento a longo prazo, como é a compra de um imóvel”, explica Rogério.

O incorporador também lembra que a Caixa, como instituição bancária que detém a maior parte (70%) da carteira de crédito habitacional no Brasil, acaba trazendo com essas novas medidas um forte impacto para esse mercado de financiamento imobiliário. “Sendo o banco mais forte na oferta de crédito para compra de imóveis, a Caixa acaba pressionando outras instituições a reduzirem suas taxas também, para tentarem se manter competitivas no mercado”, esclarece o empresário.

Já para o incorporador Guilherme de Rezende Pinheiro, diretor do Grupo Elmo, que tem atuação em Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso e Tocantins, a queda nos juros anunciadas pela Caixa irá beneficiar diretamente a população de média e baixa renda. “A medida dará novo impulso para o mercado, uma vez que, com taxas menores, o valor do comprometimento mensal de pagamento das famílias será reduzido, melhorando a nota de avaliação de crédito, permitindo que um número maior de pessoas consigam alcançar a tão sonhada moradia própria”, diz.

Renegociação

Conforme empresários e especialistas do setor, a renegociação de débitos em atraso que mais de 600 mil famílias têm com a Caixa é outra boa notícia para o mercado imobiliário. O banco pretende recuperar, com a medida, o valor de até R$ 1 bilhão, num universo de R$ 10,1 bilhão de dívidas atrasadas. Essas renegociações incluem contratos do Minha Casa Minha Vida e empréstimos nos âmbitos do SFH e SFI.

Para Rogério Queiroz, da Queiroz Silveira, a medida contribuirá para reaquecer o mercado imobiliário. “Isso faz com que as famílias consigam quitar suas dívidas e consigam créditos para novas aquisições e parcelamentos. Isso é muito bom pois contribuirá para fazer o dinheiro circular e reaquecer a economia”, completa.

Entre as opções oferecidas pelo banco, o inadimplente poderá pagar à vista uma entrada e incorporar as demais parcelas às prestações que irão vencer, usar o saldo do FGTS para quitar até três prestações atrasadas ou mudar a data de vencimento das prestações. A Caixa também oferecerá descontos médios de 86%, variando entre 40% e 90%. A renegociação levará em consideração o perfil do cliente e, quanto mais dificuldade o inadimplente apresentar em pagar a dívida, maior será o abatimento.