10/12/2018 – GOIÁS – Universitário muda perfil de moradores

Sétimo bairro mais populoso de Goiânia e conhecido por acolher a vida enxuta dos estudantes, o setor, nos últimos anos, tem atraído um outro tipo de público, o das famílias formadas por casais, com ou sem filhos. Incorporadoras notaram a demanda e estão levando para região empreendimentos com metragens e áreas de lazer maiores

Fernanda Cappellesso

Criado na década de 1960, o Setor Universitário é um dos bairros mais antigos de Goiânia e ainda convive com profundas modificações, tanto em relação à sua população como em seu território. Sétimo bairro mais populoso da Capital, com mais de 20 mil moradores, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a região por décadas, como o próprio nome indica, teve os estudantes como sua principal referência de público. O setor abriga os câmpus das duas maiores universidades do Estado: a Universidade Federal de Goiás (UFG) e da Pontifícia Universitária Católica de Goiás (PUC Goiás).

Nos últimos oito anos, o Setor Universitário começou a chamar a atenção de um novo perfil de público, o das famílias, em geral casais com ou sem filhos. Com isso, incorporadoras e construtoras lançam na região empreendimentos que atendem, não só a demanda dos estudantes, mas desse novo público. Durante muito tempo, a prioridade foi oferecer imóveis de metragens menores, de um ou dois quartos, ou então quitinetes. Ou seja, moradias focadas na praticidade e no estilo de vida enxuto dos estudantes universitários.

A Queiroz Silveira é uma das incorporadoras que se atentou a essa mudança de perfil dos habitantes do Setor Universitário. A empresa já lançou três residenciais na região, sendo o Gran Lest o mais recente. O residencial será o primeiro a possuir três suítes plenas no bairro e irá oferecer apartamentos de 102 e 105 metros quadrados, privilegiando á a área de lazer, que terá direito a piscinas, churrasqueira; espaço gourmet; academia e brinquedoteca. “Esse projeto surgiu quando percebemos que faltavam residenciais de três quartos na região e resolvemos lançar apartamentos nessa tipologia”, afirma o diretor da Queiroz Silveira, Rogério Queiroz Silveira.

Segundo o incorporador, a estratégia de investir no setor foi acertada e ele comemora os bons resultados do seu recente lançamento. “Em menos de um mês já temos 80% das unidades vendidas. A aceitação do público tem sido tão grande que os corretores de imóveis já bateram a meta de vendas”, celebra Rogério Queiroz.

Verticalização

Esse tradicional setor de Goiânia está se verticalizando cada dia mais, pois há um grande interesse da população em habitar prédios na localidade. Pelo menos é o que aponta pesquisa divulgada mês passado pela Associação de Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO). Segundo o levantamento, de junho do ano passado até agosto deste ano, foram lançadas cerca de mil unidades habitacionais no bairro, todas são apartamentos distribuídos em oito empreendimentos.

Para a gerente de vendas da Queiroz Silveira, Neila Castro, a localização estratégica do setor, que fica a poucos minutos do Centro e de bairros nobres como Setor Sul, Oeste, Jardim Goiás e Marista, aliada à uma rede de serviços e comércio consolidada são alguns dos motivos pelo interesse de outros públicos, além dos estudantes, pelo Setor Universitário. “Além do fácil acesso a outras regiões, o setor está próximo também de importantes órgãos públicos como o centro administrativo do Estado (Palácio Pedro Ludovico), a sede administrativa dos Correios, do Instituto Nacional de Meteorologia, Delegacia Regional do Trabalho, sede regionais da Secretaria do Patrimônio da União, da Procuradoria e Advocacia da União, Fundação Nacional de Saúde, museus, bibliotecas públicas e outros. É um bairro completo”, diz. Neila observa que uma grande porcentagem de moradores do setor tem interesse em habitar prédios mais espaçosos, confortáveis e com mais segurança. “Há um público que está pronto e quer mudar para um lugar maior, mas não quer sair do bairro”, avalia.

Primeiro imóvel

“Em geral, o perfil dos nossos clientes dos nossos empreendimentos no Universitário é aquela pessoa que está no primeiro imóvel, que a moradia é uma necessidade. Muitos investidores também se interessaram, já que o setor possui bom giro de locação”, esclarece o diretor.

O empresário Igor Pacheco, 22 anos, faz parte desse perfil citado por Rogério Queiroz. Ele comprou seu primeiro imóvel no Panoramic, segundo lançamento da Queiroz Silveira no Universitário, pensando na comodidade de morar num edifício de alto padrão, em um setor bem localizado. “Sou recém-casado e estou pensando em aumentar a família no ano que vem. Precisava de um residencial com mais quartos e que fosse bem localizado. Por isso, este apartamento foi realmente do tamanho dos meus projetos de vida”, explica o empresário.

Já para o médico Hélio Costa, adquirir imóveis no universitário trata-se de um bom negócio. Ele acabou de comprar duas unidades do Panoramic e uma do Gran Lest. Foi pensando na facilidade de locação que o setor oferece,i que resolveu investir na região. “Já há uma facilidade em alugar apartamentos no Universitário então, acredito, que residenciais com metragens maiores no local só têm a ampliar sua procura. Posso focar em variados tipos de clientes”, diz.

Bairro consolidado

“Aqui tem tudo pertinho de casa: supermercados, feiras de verduras, escolas, faculdades, farmácias. Há ainda vários consultórios médicos e a localização é excelente. O bairro fica seis quilômetros do principal shopping da cidade, tem as ciclovias na Avenida Universitária

e a praça onde fazemos caminhada”, enumera o contador e consultor financeiro Marcelo Virote, 46 anos, que mora na localidade com a família há vinte anos.

Mas, além de ser um ponto estratégico, vale lembrar que o Universitário é ainda um ponto cultural esfuziante, já que a Praça Universitária, além da Biblioteca Marieta Telles, sedia um museu a céu aberto, com esculturas de artistas plásticos renomados, como Ktenas, Maria Guilhermina, Poteiro , Neusa Moraes, Dina Cogolli e Noé.

Nas proximidades também está o Centro Cultural UFG (CCON) e o Itego em Artes Basileu França. E, basta uma caminhada rápida para notar que o local é também atrativo para o estabelecimento de bares e restaurantes – no Google Maps, o setor conta 17 estabelecimentos deste segmento.