12/07/2019 – GOIÁS – Você pode estar trabalhando com um astro da música e não sabe

Leonardo era plantador de tomate, Ivete Sangalo vendia roupas e marmitas, Claudia Leitte era repórter de TV. Antes de alcançar o estrelato, esses e muitos outros famosos ganhavam a vida em profissões tidas como “normais”. Isso mostra que um grande artista pode estar em qualquer lugar e ser qualquer um, inclusive seu colega de trabalho. Conheça histórias de quem divide sua paixão pela música com outra ocupação, enquanto a fama não vem

Luiz Fernando Rodrigues

Rotina de shows, muitas viagens, fama, fãs e fortuna! Essa é a imagem que geralmente vem a nossa mente quando pensamos em grandes nomes da música. Mas o que se esquece com frequência é que esses grandes astros um dia foram ilustres desconhecidos e antes de chegarem ao estrelato eram pessoas “normais”, com trabalhos, muitas vezes, que não tinham nenhuma ligação com qualquer tipo de arte. Para se ter uma ideia, o cantor Leonardo e o seu falecido irmão Leandro, antes do sucesso, eram plantadores de tomates. A baiana Ivete Sangalo, antes de ser uma das vozes mais conhecidas do Brasil, ganhava seu sustento como vendedora de roupas e marmitas; já a loira Claudia Leitte, atuava como repórter.

Os exemplos dessas grandes estrelas mostram que um grande artista pode estar em qualquer lugar e ser qualquer um, inclusive seu colega de trabalho. Por isso, neste 13 de julho, quando se comemora o Dia do Cantor, trouxemos histórias de artistas anônimos que ainda precisam dividir sua paixão pela música com outra profissão, enquanto o estrelato não vem.

Um sambista no canteiro de obras

Para levar o sonho da música adiante, o gerente técnico de obras de saneamento da Elmo Engenharia, Edmundo Mendes, se desdobra entre a pesada rotina do canteiro de obras e os shows nos fins de semana e feriados. Conhecido entre os colegas e amigos como Edmundo Aragão, justamente por ter uma voz parecida com o cantor e compositor Jorge Aragão, o artista relembra com carinho o encontro com o sambista em Goiânia “Na verdade, a própria esposa dele acabou confundindo a voz dele [Jorge Aragão] com a minha. Foi um grande prazer conhecer e ouvir dele que estou no caminho certo”, destaca com orgulho o cantor de 59 anos.

Além de Jorge Aragão, outro sambista que inspira Edmundo é Zeca Pagodinho. Porém, apesar de preferência pelo samba, o técnico de obras diz que não se priva de cantar outros gêneros musicais. “MPB, sertanejo… costumo cantar o que o público pede”, revela o técnico de obra ao informar que sempre é chamado para cantar em festas particulares e bares do centro de Goiânia, sempre aos finais de semana e feriados, para não atrapalhar o trabalho na obra. “Às vezes, também faço apresentações em outras cidades de Goiás e em Brasília. Também já cantei em Cuiabá e Rondonópolis (ambas cidades no Mato Grosso). Sempre nos horários que não conflitem com o do meu trabalho”, destaca.

A vocação de Edmundo para a música foi descoberta bem cedo, aos 7 anos, quando participou de um festival de música em Goiânia, cantando O Bom Rapaz, canção que fez sucesso durante a Jovem Guarda na voz de Wanderley Cardoso. Em 1984, ele começou a cantar em barzinhos e, desde então, alimenta a esperança de construir uma carreira de sucesso e viver de suas composições. “Não quis partir diretamente para a música por conta do meu trabalho, que eu gosto muito. Porém, ainda espero que algum dia possa dar certo e viver só das minhas apresentações”, projeta o cantor.

Edmundo divide a semana entre suas duas atividades profissionais. De segunda a sexta-feira, ele se dedica às obras de saneamento se deslocando entre Goiânia e Iporá. Aos finais de semana e feriados, seu tempo é dedicado à música. “Eu sou responsável pelo canteiro [de obras] em Iporá, mas divido meu tempo com as tarefas em Goiânia. Mesmo assim, consigo arrumar tempo para essa minha paixão”, destaca.

Entre o mercado imobiliário e a música

Dividido entre visitas aos clientes interessados na compra de algum imóvel, palhetas de guitarras e baquetas de bateria. Assim tem sido a rotina de Guilherme Augusto de Oliveira, de 18 anos, corretor de imóveis parceiro da URBS Imobiliária.

Apesar do trabalho de corretagem, o jovem nutre expectativas de sucesso no meio musical. Com apenas 16 anos, ele conta que começou a cantar alguns clássicos do rock, pop rock e MPB em barzinhos de Goiânia e da cidade mineira de Patrocínio, onde mora parte de sua família. “Minha vocação pela música começou muito cedo. Desde criança já tocava teclado, guitarra, violão, baixo e bateria. Descobri essa minha aptidão para o canto quando ainda tinha 12 anos, quando cantava com amigos e nas reuniões de família”, destaca.

Guilherme admite que não tem feito apresentações em bares nos últimos meses por conta do trabalho e da faculdade de Administração, mas ressalta que já planeja voltar à música. “Além de cantar, também curto artes cênicas. Então eu continuo fazendo meus cursos de interpretação e de canto. Faço meu curso de graduação pela manhã, trabalho à tarde e, à noite, dedico meu tempo para o mundo artístico”, afirma o corretor que se inspira em grandes nomes da música nacional e internacional, como Tom Jobim, João Gilberto e Freddie Mercury.