12/08/2019 – GOIÁS – O poder de aprender como criança

Questionar e ter prazer em aprender como uma criança. Em um mundo em constante transformação, o mercado de trabalho tem exigido cada vez mais agilidade de aprendizagem, característica presente em apenas 15% da força de trabalho do mundo

Luiz Fernando Rodrigues

Você já deve ter percebido a facilidade que as crianças têm para aprender e dominar as novas tecnologias. Uma pesquisa de 2013 do Kings College, de Londres, e da Brown University, Rhode Islands, descobriu que as crianças com dois e quatro anos de idade estão mais abertas às novas experiências, faixa etária considerada como janela crítica de formação no cérebro. Os pequenos aprendem de maneira natural e rápida porque estão acostumados à novidade. Tudo para eles se apresenta como novo, e os mesmos não se impõem barreiras a esse aprendizado diário.

Para a especialista em desenvolvimento humano Karina Duarte, que amanhã (13), na unidade de Goiânia do Centro Universitário Iesb, no Setor Bueno, ministrará uma palestra gratuita sobre o tema agilidade de aprendizagem, tal comportamento comum nas crianças de se abrir para o novo deve ser, cada vez mais, seguido pelos adultos. “Essa capacidade de assimilar as coisas rapidamente segue até certa idade. Depois, quando entramos em outros grupos sociais, como escola, faculdade, local de trabalho acabamos sendo condicionados a questionar menos e enxergar o mundo segundo as nossas experiências e das pessoas mais próximas. Acabamos condicionados a ‘aprender’ da maneira como nos ensinam, não mais da maneira natural que se aprendia”, explica Karina Duarte, que trabalha implantando processos que desencadeiam essa habilidade ou prestando consultorias individuais para potencializar a capacidade de agilidade de aprendizagem em empresas.

A especialista afirma que diante da enorme quantidade de informações e conhecimentos que surgem diariamente, profissionais que, tal como uma criança têm a competência de agilidade de aprendizagem e não apresentam barreiras ao “novo”, serão os mais disputados pelo moderno mercado de trabalho. “Vivemos atualmente na era do ‘Novo’, em que tudo muda o tempo todo, e aprender com agilidade passa a ser uma das habilidades mais importantes para que você possa estar apto a lidar com qualquer desafio complexo que venha a surgir, o que ainda garante uma vantagem competitiva frente aos demais concorrentes do mercado”, destaca Karina.

De acordo com dados do Instituto Korn Ferry, de 2014, apenas 15% da força de trabalho no mundo desenvolveu a agilidade de aprendizagem. Já as companhias que contam com executivos com essa característica apresentam 25% mais lucratividade que os concorrentes. Por isso a palestra que a especialista irá ministrar no próximo dia 13 será voltada para empresários, empreendedores, autônomos, profissionais liberais e pessoas que buscam ser mais ágeis em suas tarefas cotidianas.

Mudanças

Karina destaca que as mudanças ocasionadas pelas grandes transformações no mundo podem atingir desde as grandes empresas até um simples posto de trabalho. “Há pessoas que começam a perceber a ameaça de ser mandado embora por alguém mais jovem que tem essa habilidade de aprender rapidamente e se ajustar diante das mudanças e do novo”, destaca. “A falta da agilidade de aprendizagem, por exemplo, fez com que os diretores da Blockbuster, que já foi a maior rede de locação de filmes e videogames do mundo, não identificassem o que estava acontecendo ao redor deles e não aprendessem rapidamente sobre essas mudanças, fazendo com que eles ficassem obsoletos, assim como milhares de empresas no Brasil que também estão passando por esse mesmo processo”, completa.

Por outro lado, outra empresa aprendeu e se adaptou com qualidade às constantes mudanças que aconteceram nos últimos anos. Trata-se da Netflix, que chegou a ser oferecida para a Blockbuster pelo valor de 50 milhões de dólares, e hoje se trata da maior rede de streaming de vídeos do mundo com mais de 100 milhões de usuários. “Ter a agilidade de aprendizagem, é simplesmente ter a habilidade de se abrir para o novo, com entusiasmo e sem preconceito, ou seja, com mente de principiante, e aprender rapidamente como se adaptar a isso, algo que provavelmente os executivos da extinta Blockbuster não possuíam”, ressalta.