14/03/2019 – GOIÁS – Mesa redonda com servidores municipais debate violência contra a mulher

Como parte da programação que marca o Mês da Mulher, a Escola do Servidor da Prefeitura de Aparecida de Goiânia reuniu na tarde desta quarta-feira (13) centenas de servidoras públicas para debater a violência contra a mulher no município. “Trata-se de um marco para as atividades da Escola do Servidor. Por isso resolvemos, em comemoração ao Mês da Mulher, iniciar nossas atividades do ano de 2019 com este tema. Desta forma poderemos propagar esta discussão com as servidoras do município e com a população”, pontua a coordenadora do programa Escola do Servidor, Carolina Andrade.

Secom Aparecida

Para ela, o empoderamento da mulher passa principalmente pela equiparação do salário, pelo respeito e oportunidades iguais. “Essa é uma briga constante não apenas no mercado de trabalho comum mas também no mercado de trabalho público. Com essa conquista cada vez mais sendo alcançada nesta luta das mulheres, teremos cada vez menos violência doméstica, menos dissabores. E isso não apenas em nossas casa, mas também em nossos ambientes de trabalho”, conclui. O evento contou com a presença da secretária executiva da Mulher, Eudenir de Souza Neves, conhecida como Tia Deni.

Foram convidadas a participar da mesa redonda como debatedoras a presidente da Associação Semeando Paz, Ilma Maria da Silva Araújo; a representante do Conselho Estadual de Educação, Gláucia Maria Teodoro Reis; a delegada regional da Polícia Civil, Cibelle Tristão, e a pesquisadora sobre gênero em comunidades rurais, Manoela Barbosa. Como mediadora, a advogada e coordenadora da entidade Atos de Pessoal, Jade Colherinhas. Participaram homens e mulheres de diversas pastas da administração municipal.

Para Cibelle Tristão, o machismo ainda é muito forte não apenas em Aparecida mas em todo o Brasil. “Na história da mulher, ao longo dos anos, a gente vivencia isso cada vez mais. Os avanços ainda são muito pequenos e a ocupação dos espaços públicos, com cargos de chefia, é essencial. A mulher vem buscando ocupar esses espaços. Vem lutando ao longo de séculos, ganhando direitos que pareciam improváveis. Vale lembrar que até pouco tempo atrás a mulher não podia sequer votar. Quando o Código Civil foi editado uma das obrigações do casamento era de que a mulher mantivesse relações sexuais com o parceiro. Coisa que hoje parecem absurdas, mas que foram corrigidas a passos de formiguinha”, comentou.

A delegada explica ainda que a questão do feminicídio passa muito mais pelo âmbito social do que por outros aspectos. “A partir do momento que o homem não muda a sua mentalidade e continua sendo machista, mesmo a mulher avançando ao longo do tempo e ocupando espaços de poder, ele não consegue aceitar essas mudanças. E esse homem, que não aceita ouvir um não e também não aceita ver uma mudança de atitude por parte da mulher, acaba cometendo todos esses abusos. Então o feminicídio é muito mais uma questão social do que criminal. Como militante da área da Segurança Pública, acredito que só diminuiremos os índices de violência contra a mulher trabalhando com a conscientização das crianças e dos adolescentes.