17/07/2019 – GOIÁS – Concurso de moda na capital revela novos talentos

Com a proposta de estimular a profissionalização da mão de obra criativa, os oito selecionados no 1º Desafio Viver de Moda já começam a participar das oficinas práticas, para o desenvolvimento dos croquis escolhidos. Conheça a história de cada um dos vencedores que almejam ser estilistas de renome

Mariza Sabino

Segundo dados da Secretaria Nacional do Trabalho, Goiás ocupa atualmente o sexto lugar no ranking nacional de empresas de confecção e é o segundo segmento econômico que mais cresce no Estado, atrás somente do agronegócio. A capital, Goiânia, é inclusive conhecida por ser um dos maiores pólos de confecção e moda do Brasil.

Esse mercado goiano da moda é caracterizado pelo conceito fast fashion ou simplesmente moda rápida, quando há uma renovação constante das peças comercializadas e a produção é seriada, gerando itens mais baratos, porém não tão exclusivos. Mas paralelo a essa tendência do fast fashion, surge uma vertente que busca exaltar a mão de obra criativa da moda, ou seja, quem pensa, planeja, desenha e conceitua a peças. Profissionais e empreendedores desse setor modista em Goiás, destacam que apesar de Goiás ter uma forte vocação para o mercado da moda, ainda carece dessa mão de obra mais especializada, principalmente em relação ao design.

“A moda em Goiás precisa ser também reconhecido por sua arte e cultura”, destaca o estilista e design de moda goiano Riuslley Figueiredo, que integrou a bancada do Desafio Viver de Moda, promovido pelo Blog Viva de Moda, que selecionou oito criações desenvolvidas por estudantes de moda e design, costureiras e/ou qualquer um que goste de moda. O concurso, que tem parceria com o Espaço Integrado de Moda, e apoio da República da Moda e da Triagem Jeans, tem como objetivo fomentar o surgimento de novos talentos criativos da moda.

Os nomes dos oito vencedores foram anunciados no último dia 27 de junho durante o lançamento do Blog Viva de Moda, que trará conteúdo exclusivo para empreendedores deste setor. Todos os selecionados terão suas peças exclusivas produzidas em oficinas que serão realizadas até o dia 26 de julho no Espaço Integrado da Moda, que fica no Estação da Moda Shopping, em Goiânia. Desde o último dia 1º primeiro as oficinas estão sendo promovidas, sob a coordenação da professora de moda Nélia Finotti. A proposta dada pelo concurso era de produzir croquis com um look completo ou de uma peça só, tendo como inspiração a Estação Ferroviária de Goiânia, recentemente revitalizada. Os oito trabalhos escolhidos passaram pela análise de uma banca especializada formada por estilistas profissionais, professores e empresários da moda.

Criatividade para moda inspirada pela mãe

Tendo a mãe, dona Maria da Penha Nascimento, como fonte de inspiração e grande apoiadora de sua veia criativa, Alessandra Dias, de 24 anos, diz que desde de muito pequena desenhava e criava seus próprios looks. Formada há três anos em designer de moda, pela Faculdade Estácio de Sá de Goiânia, a jovem diz que ainda criança adorava customizar suas roupas e transformá-las em peças novas.

Hoje Alessandra está desempregada e mora no município goiano de Minaçu, norte do Estado, onde faz atualmente alguns serviços esporádicos como vestido de festas e roupas infantis. Sua experiência profissional no ramo vêm de conceituados ateliês de noivas de Goiânia como Idalina Gusmão e Estúdio Jaque Carvalho

Segundo a designer, o concurso Desafio de Moda, é a oportunidade que esperava para ter mais visibilidade em seu trabalho e aperfeiçoar suas habilidades. “Pela equipe envolvida no trabalho e local onde está sendo fomentado o concurso, acredito que meu trabalho será muito mais conhecido em Goiânia e que terei mais visibilidade profissional”, conta Alessandra que se inscreveu no concurso com intuito de “testar” a sua criatividade.

O garoto que levou seu talento para a moda

Amante dos traços no papel, o estudante de moda da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Paulo Cariolano, 21 anos, revela que antes de ingressar na faculdade fez uma vasta pesquisa até decidir em qual profissão iria empregar o seu talento para o desenho, que se manifesta desde criança. Mas a influência de sua tia avó Lacy Cariolano, que segundo ele era uma costureira de mão cheia, acabou levando o jovem para o mundo da moda.

Paulo conta que, quando mais novo, ficava maravilhado com a transformação que sua tia avó fazia com um mero tecido. “Era muito mágico”, diz o jovem que também integra o grupo de oito selecionados do Desafio Viver de Moda.

“Espero poder me inserir no mercado de trabalho por meio do concurso, já que pode dar uma visibilidade super legal. Vou dar o melhor de mim para me destacar”, afirma Paulo que assegura que vai se dedicar ao máximo para produzir uma “excelente peça”. Segundo ele, a motivação que o trabalho da moda lhe traz é a chance de poder contar uma história por meio da roupa, levando para a moda uma forte linguagem não verbal.

Após 50 anos, empreendedora de moda quer virar estilista

“Está no sangue essa paixão pela costura”, afirma a mineira de Uberlândia, Maria das Dores de Lucena ou Dora Lucena, 53 anos, como é conhecida. Filha de nordestinos, ela tem presente em toda família o traço forte da arte: tias e avós bordadeiras e costureiras e a mãe é artesã. Há 16 anos adotou Goiânia como seu lar e começou a empreender no mundo fashion. Ela possui um ateliê onde trabalha com peças sob medida, personalização e executa projetos conceituais para faculdades de Goiânia, “Dora Lucena Atelier”. Apesar de empreender no mundo da moda há mais de uma década e meia, foi somente agora após os 50 anos de idade que Dora está tendo a chance de se aprimorar.

Frequentando o 6º período do curso de Design de Moda na faculdade Universo de Goiânia, ela se diz uma apaixonada pela moda desde criança. Aos seis anos de idade ganhou de presente uma máquina de costura dos padrinhos, mas não mexia na máquina por receio dos pais que temiam que ele se machucasse. Mas o fascínio pelas roupas nunca deixou de existir e Dora diz que ficava encantada ao observar a mãe costurando suas peças de artesanato. O forte interesse pela costura fez com que, a futura empresária de moda, começasse a trabalhar bem cedo, e aos 14 anos aprendeu a costurar numa confecção, onde montava e e finalizar golas de camisas.

“Sempre desejei criar e executar minhas próprias criações. É um sonho que sempre tive e hoje estou tendo a oportunidade de realizar”, declara Dora que se inscreveu no Desafio Viver de Moda, visando alçar vôos mais altos. “Vou fazer parte das passarelas”, afirma. A empreendedora da moda espera ampliar a rede de relacionamentos com a participação no concurso promovido pelo Blog Viva de Moda, e com isso mostrar a outros centros brasileiros a moda goiana.

Um talento que desenha as próprias roupas desde os 7 anos

Sem recordações de uma época em que não tenha pensado ou vivido de moda, Lucas Caslu é um jovem modelista e desenhista de 24 anos que já trabalha no mercado da moda, mas que pretende ir bem mais longe profissionalmente. Formado em Design de Moda pela Universidade Estadual de Goiás (UEG), Lucas desenha desde os 7 anos as próprias roupas, o que revela que um talento realmente precoce.

“Acho que já nasci interessado por moda. Sempre apreciei desenhar e comecei muito cedo a pôr em prática minhas ideias”, diz. Lucas, que se diz uma pessoa ansiosa e detalhista, conta que sempre busca fazer mais do que criar uma roupa. Para pensar a peça que criou para o Desafio Viver de Moda, por exemplo, ele revela que fez um processo de imersão e passou uma tarde inteira na antiga Estação Ferroviária de Goiânia, local proposto pelo organização para inspirar os participantes do concurso.

Ansioso para começar a produzir a sua criação, Lucas considera o Desafio Viver de moda poderá ser uma grande mola propulsora para o sucesso na profissão, abrindo-lhe várias oportunidades. “Não pretendo parar por aqui! Quero alçar novos voos e fazer o meu trabalho, as minhas criações conhecidas no Estado e fora dele”, afirma.

De volta à terra natal para fazer a moda que conheceu fora do País.

Nascida em Goiânia e ambientada ao universo fashion desde pequena, o caminho profissional da designer Carolina Oliveira, 33 anos, para a moda foi quase que natural. A família tinha uma pequena confecção de moda infantil na capital, para a qual a própria Carolina modelou dos 7 aos 10 anos. Mas dificuldades financeiras com empresa fez com que ela fosse com os pais para Londres, cidade onde morou por três anos e depois retornou ao Brasil para concluir os estudos. Aos 21 anos, mais precisamente no ano de 2007, ela volta com a mãe para Madri, na Espanha, onde se formou no curso de Diseño de Moda Textile pelo IED (Latituto Europeo di Design) e se especializou em na área de designer de superfície. Ela resume que escolheu o universo fashion por “vocação”. Atualmente, Carolina mora e trabalha na capital goiana e desenvolveu trabalhos principalmente de estamparias para Riachuelo, Pit Bull jeans e Acore. Em 2018 decidiu empreender desenvolvendo coleções de vestidos infantis e estampas exclusivas para vendas online.

Carolina avalia que a participação no Desafio Viver de Moda lhe dará força para começar a colocar em prática projetos voltados para a área têxtil e revela sonho ambicioso. “Acredito muito no potencial de Goiânia e quero deixar meu nome como alguém que tenha aberto novos caminhos para o design de superfície na cidade. Espero aprender e compartilhar e principalmente”, diz.

Do interior para seguir um sonho na capital e viver de moda

“Quando eu crescer quero ser um estilista”, já dizia Alexandre Brito aos 8 anos, ainda quando morava na cidade de Santa Helena de Goiás, a 207 quilômetros de Goiânia. Nesta idade já criava peças de roupas e projetava em sua mente como ficariam vestidas em alguém. “Sempre tive a certeza de qual profissão queria seguir e isso não se perdeu com o tempo. Trabalhar com moda é o que sempre quis e quero”, afirma Alexandre que se diz uma pessoa “obstinada”.

Hoje, aos 20 anos, e com total apoio da família, deixou a cidade do interior para vir estudar moda na capital. Ele é aluno de corte, costura e modelagem no SENAI, campus Ítalo Bologna, e vê sua participação no Desafio Viver de Moda como a grande chance de fazer seu nome no universo fashion.

Alexandre se inscreveu no concurso com a expectativa é de aperfeiçoar o que já vem aprendendo na faculdade. “Temos diferentes perfis entre os selecionados e espero aprender e absorver ao máximo em todo processo e tenho certeza que minha participação no desafio irá me proporcionar muitas oportunidades”, afirma.

Costurando desde 10 anos, jovem vê em concurso chance de mostrar seu trabalho

Sempre motivado pelo desejo de se vestir de forma diferente e autêntica, já a partir dos 10 anos, Antônio Alves passou a costurar com sua mãe e nunca mais parou e possui mais de 15 anos de experiência no universo da moda. Curioso e sempre sem medo de aprender mais, ainda adolescente buscou assimilar tudo sobre o ramo na qual pretendia fazer sua carreira. Para o jovem prodígio, a moda deve ser democrática e deve contribuir para a unir e não segregar. “A moda não vem para mudar o comportamento e sim, para que a pessoa consiga se encontrar no seu próprio estilo e possa expressar-se melhor”, diz.

Hoje, aos 29 anos, Antônio Alvbar, como assina seus trabalhos de moda, é modelista, pilotista e designer. Em 2014 finalizou o curso de design de moda pelo Senac e tem nove anos de experiência formal em costura, modelagem e pilotagem de roupas. Atualmente trabalha realizando protótipos de roupas femininas em uma loja de tecidos em Goiânia e faz faculdade de Design de Moda na Estácio de Sá.

Sobre sua participação no Desafio Viver de Moda, Antônio diz que pretende mostrar mais do que seu trabalho, ele quer aprender ainda mais e conquistar parcerias no setor da moda. “Desejo ir mais além na minha profissão e concretizar projetos e a visibilidade que o concurso vai me dar poderá viabilizar. Quero ser reconhecido pelo meu trabalho e talento”, afirmou.