25/11/2020-Goiás-Pesquisa realizada pelo Instituto de Química da UFG conclui que transporte público não é vetor de contaminação da Covid-19

Testagem realizada com 175 profissionais do sistema, sendo maioria motoristas, mostra que apenas dois colaboradores estavam contaminados

Os protocolos adotados pelo transporte público coletivo de Goiânia e região metropolitana para proteção dos trabalhadores contra a Covid-19 colaboram para confirmar que o sistema não é vetor de contaminação do coronavírus. Pesquisa realizada na última semana pelo Instituto de Química da Universidade Federal de Goiás (UFG) para diagnóstico rápido da doença concluiu que apenas 2 dos 175 profissionais testados – a maioria motoristas – foram contaminados pelo vírus.

A testagem foi realizada nos dias 15 e 16 deste mês de novembro nas empresas Viação Reunidas e Cooperativa de Transporte do Estado de Goiás (Cootego). A iniciativa contou com o apoio da Faculdade de Enfermagem da UFG e possui parceria com o Ministério Público do Trabalho em Goiás (MPT-GO).

Os participantes realizaram dois testes: o tradicional RT-PCR, conhecido como padrão ouro, e um outro método desenvolvido pela Universidade, com coleta e resultados mais rápidos. Batizado de RT-Lamp, o método desenvolvido pela UFG utiliza uma determinada quantidade da saliva para identificação do coronavírus. O material para o RT- Lamp foi analisado pelo Instituto de Química e o RT-PCR em outro laboratório da rede UFG, para que os resultados sejam comparados. Cada indivíduo testado recebeu seu laudo pelo celular e os dois casos que testaram positivo para a doença receberam instruções para procurarem atendimento médico e cuidados a serem tomados.

“Foi um resultado muito bom para a comunidade, de ter a certeza que, neste momento, não possui uma grande quantidade de pessoas contaminadas. Talvez as medidas de contenção adotadas pelo setor tenham sido eficientes e colaborado com o resultado”, destacou a professora Gabriela Rodrigues Mendes Duarte, coordenadora do projeto ‘Teste Molecular Rápido baseado em RC-Lamp para diagnóstico de Covid-19’.

Gabriela lembra que o resultado de contaminação da testagem dos trabalhadores do transporte coletivo, de 1,14%, é menor do que o índice obtido nas testagens realizadas anteriormente, no início de outubro, com 100 colaboradores da Companhia Metropolitana de Transportes Coletivo (CMTC). O projeto também já contemplou outras áreas cujos profissionais possuem maior risco de exposição ao vírus, como trabalhadores da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) e da Polícia Rodoviária Federal.

Mais ágil

Os testes têm como objetivo oferecer resultados mais rápidos, precisos e com menor custo, quando comparados ao RT-PCR, que atualmente é o de maior exatidão disponível no mercado, embora seu custo seja alto. Outro propósito da pesquisa é de ampliar a capacidade de testagem em massa dos goianos, o que permite a formulação de melhores estratégias de contenção à disseminação do vírus enquanto uma vacina não esteja disponível.

O teste realizado com os trabalhadores no transporte coletivo não envolveu custos para empresas ou empregados. O Ministério Público do Trabalho em Goiás (MPT-GO) e a Justiça do Trabalho destinaram R$ 1,3 milhão para financiar o projeto do Instituto de Química da UFG. “Destinar recursos a um projeto tão sério e promissor é de suma importância para que possamos tentar preservar o máximo de vidas e não sobrecarregar o sistema de saúde”, afirmou o procurador-chefe do MPT-GO, Tiago Ranieri.

O vice-presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Público e Passageiros de Goiânia e Região Metropolitana (SET), Alessandro Moura ressalta que o resultado veio corroborar com os resultados de pesquisas nacionais e internacionais que comprovam que o transporte público não é vetor de contaminação da Covid-19. “Além de boa ventilação no interior dos ônibus, adotamos e reforçamos todos os protocolos de segurança para os trabalhadores, como disponibilização de álcool em gel, máscaras e aferição diária de temperatura”, destaca.